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Sobre a arte de ser mãe.

3
jul

Parabéns, ter um filho é uma bênção Divina!

Nossa, que lindo!

Quanta alegria!

Que emoção maravilhosa!

 

Pois bem, essas são algumas das frases que ouvimos quando anunciamos uma gravidez. Para nós mulheres que desejamos ser mães, esse é um momento que marca a nossa vida.

Gerar um filho tem uma magia, é um momento único de amor intenso, uma experiência divina, repleta de vivências puras e sutis. É uma emoção incomparável, um estado de graça único, uma continuidade de sua vida e expressão de amor que bate fora do seu corpo. Sim, é tudo isso e muito mais.

No entanto, junto a todas essas emoções existem sentimentos e sensações que podem ser perturbadoras, diante de uma realidade pouco comentada.

A sociedade trás para a mente materna a idéia apenas da experiência mágica do bebê lindo, sem assaduras, que não chora, está sempre sorridente, limpinho, sem incômodos, sem febre, sem dente nascendo, sem doenças ou birras…

Já desde o início da gestação, convivemos com sintomas e emoções diversas e antagônicas, desde um desejo lindo de ver o nosso filho nascer bem, até a rotina de consultas e exames, cansaço, insegurança com relação ao parto, hospital, enxoval entre outras. E esse sentimento antagônico pode se agravar quando o bebê nasce, pois apesar de intensa felicidade também nos sentimos inseguras, exaustas, sem saber o que fazer com o choro incessante, com a cólica que tem horário marcado para começar, mas não para terminar, com as noites infindáveis sem dormir, com o leite que não desce ou que achamos que é fraco ou pouco, com a falta de tempo para comer, dormir, tomar banho, trocar de roupa ou descansar.

Algumas mães até gostariam de poder se queixar dessa fase, mas se sentem inibidas, já que o momento é lindo e somos convencidas de que tudo isso faz parte! E então, como podemos nos permitir expor nosso cansaço e exaustão se todos dizem que ter um filho é maravilhoso? Como podemos confessar que estamos exaustas e que experimentamos certa ambivalência emocional sobre a maternidade?

De um lado há uma felicidade enorme, brilhante, apaixonante por esse momento, mas por outro há um cansaço, uma fadiga, uma inexperiência única e uma falta de certeza de como fazer e se estamos no caminho certo.

Será que nessa fase tem algo de errado em nos sentirmos cansadas e desanimadas? Será que podemos chorar sem motivo aparente? Sair para relaxar num shopping? Podemos dormir para descansar? Almoçar com calma a nossa comida preferida?  Ir ao salão fazer nossas unhas que há meses não fazemos? A resposta que muitas de nós nos damos é que não e, portanto, nos enclausuramos e ficamos com um fardo muito mais pesado do que o necessário.

Enfim, poderíamos ficar horas detalhando diversos exemplos emocionais, físicos e espirituais que a maternidade nos apresenta, mas que na maioria das vezes não são ditos livremente por uma crença limitante que carregamos, de que se falarmos sobre isso podemos transparecer falta de amor ou que não estamos gostando de ser mães. Então, sofremos em silêncio.

Portanto meu maior desejo é que possamos entender, sem culpa, que maternidade é um episódio maravilhoso, abençoado, digno de muita alegria, mas que pode ser cansativo sim. Que se você se sentir exausta, insegura e pensativa isso não significa que esteja fora do padrão, pois a maioria das mulheres sente o que você está sentindo, mas dividem pouco essa experiência.

Sugiro que possamos falar livremente com as pessoas certas sobre nossas angústias, medos, receios e desgastes para que nossa carga fique dividida e, portanto, mais leve. Que possamos aliviar o peso emocional, trocando experiências similares com quem também vive esse momento, sem preocupação com a termos a imagem de mãe maravilha. Sim somos sensíveis e também nos cansamos, mas somos normais.

E ai, voltando ao início desse texto, onde a alegria se fez presente, vale lembrar que há mesmo uma linda fase a ser vivida, que o amor se sobressai aos desafios, que superamos cada obstáculo e ao final tudo passa, restando apenas a lembrança do encantamento que circunda a arte de ser mãe.

Claudia Oliveira

Psicóloga CRP 06/58221-3

EMAIL: claudia@psicologaclaudiaoliveira.com.br

WHATSAPP 12-99763.2030

 

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